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Arrecadação
favorece a reforma tributária
Diário do Comércio (Belo Horizonte - MG) - 25/03/2008
Expansão econômica e equilíbrio
fiscal engordam o caixa do governo.
O crescimento da arrecadação nos últimos
anos e, conseqüentemente, o fim do déficit fiscal
deixaram o caixa do governo muito confortável para
realizar a
reforma tributária, conforme informou ao DIÁRIO
DO COMÉRCIO o contabilista e consultor empresarial
/ , Antoninho Marmo Trevisan. De acordo com ele, esses são
os dois grandes diferenciais para que a proposta do governo
encaminhada ao Congresso Nacional se torne uma realidade e
deixe de ser apenas uma promessa, como aconteceu com os demais
projetos apresentados na última década.
Conforme Trevisan, outro fator é o momento positivo
em que se encontra a economia brasileira, que contribui para
que o governo realize as modificações necessárias
a fim de modernizar o modelo tributário do país.
Contudo, o especialista - que participa do grupo de trabalho
do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)
do governo alerta que a proposta
de reforma tributária apresentada pelo Planalto não
visa reduzir o peso dos impostos no bolso dos contribuintes.
"O objetivo da proposta é simplificar o modelo
tributário. A reforma não vai diminuir a carga",
afirmou.
O projeto apresentado pelo governo está dentro das
limitações que o país possui, na opinião
de Trevisan, que manifestou otimismo em relação
à proposta. "Saímos de um projeto mais
amplo e completo para um mais palatável", comentou.
O contabilista acredita que a simplificação
dos principais impostos e contribuições federais,
que serão reunidos a partir da criação
do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), e a unificação
das 27 legislações do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Prestação de Serviços
(ICMS), será o suficiente para ampliar a competividade
das empresas brasileiras.
Desoneração - Outro ponto importante do projeto,
segundo Trevisan, é a possibilidade de desoneração
da folha trabalhista. "A desoneração da
folha vai gerar mais empregos e a formalização
dos postos de trabalho que hoje estão na ilegalidade.
Além disso, vai permitir também que o modelo
previdenciário seja visto sob um novo contexto e possa,
quem sabe, sair desse déficit histórico",
disse.
Para Trevisan, além do crescimento econômico
e da confortável situação fiscal da Receita
Federal do Brasil (RFB), outro importante fator que contribuirá
para a aprovação do projeto de reforma tributária
é o empenho declarado dos presidentes da Câmara
dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB-RN). "A sociedade quer esse projeto aprovado.
Seja o setor público ou as entidades de classe empresariais",
informou.
Entretanto, Trevisan informou que a reforma tributária
só será aprovada em 2008 se a proposta for levada
à plenário até junho, pois haverá
eleições municipais no segundo semestre desse
ano. "Temos esperança que o projeto será
votado ainda esse ano", afirmou.
Outra dificuldade que o projeto poderá encontrar para
ser aprovado, conforme o contabilista, é o apoio dos
governadores, principalmente os dos estados produtores, uma
vez que a tributação passará a ocorrer
sobretudo no local de destino. "Com tantos fatores positivos,
o projeto só não sairá do papel por razões
políticas. Todavia, não acredito que isso vá
acontecer, uma vez que a proposta cria um fundo de equalização,
que vai solucinar as principais reivindicações
dos estados", analisou.
BRUNO MARQUES
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