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Desoneração
de R$ 29 bilhões
Estado de Minas (Belo Horizonte - MG) - 01/03/2008
Ministério da Fazenda divulga cálculo
do que o governo deixará de arrecadar em seis anos,
com aprovação das novas regras fiscais. Estados
vão ser compensados por eventuais perdas
SÃO PAULO - Pêlos cálculos do governo,
a aprovação da reforma tributária poderá
representar um acréscimo de 0,5 ponto percentual no
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos
20 anos com as medidas de simplificação, redução
e desoneração de impostos. Segundo o secretário
de Política Econômica do Ministério da
Fazenda, Bernardo Appy, um dos principais mentores do projeto
de reforma tributária, só em desonerações
o governo deverá abrir mão no período
de seis anos, de R$ 29 bilhões, que é o custo
implícito durante o período de transição
da reforma que prevê redução dos encargos
na folha de pagamento e incentivos na política de desenvolvimento
regional.
Outros R$ 13 bilhões serão gastos com a unificação
de impostos no Imposto sobre Valor Agregado Federal (IVA-F).
Além disso, Appy estima em mais R$ 10 bilhões
a participação da União no fundo para
equalização de receitas, que será criado
para compensar possíveis perdas dos estados com o novo
ICMS. "Estamos dispostos a abrir mão desses recursos,
porque sabemos que no longo prazo vamos recuperar", disse
Appy, depois de palestra na Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp).
O secretário aproveitou também para pedir o
apoio dos empresários e criticar os políticos
que dizem que perdem com a reforma tributária, porque
querem "levar alguma coisa a mais". Para Appy, essas
posições são normais no meio político,
especialmente nesse momento de discussão de mudanças
na estrutura truibutária. "É natural que
isso ocorra, mas tenho certeza que no agregado eles são
ganhadores e nós estamos fazendo um desenho que é
bom para o país", disse.
Appy citou as críticas do governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), que disse que achava difícil
a implementação a suspensão do fundo
de participação dos estados para aqueles que
vierem a fazer guerra fiscal depois da aprovação
da reforma. Segundo o secretário, o dispositivo foi
posto na emenda constitucional à pedido do próprio
governador paulista. "Achamos estranho esse comentário
dele (Serra), mas faz parte da política sair falando
que perde para ganhar o máximo possível depois",
afirmou.
COMPENSAÇÃO O governo se comprometeu, em reunião
com os nove governadores do Nordeste, a avaliar pedido para
que sejam mantidos, nas negociações da reforma
tributária, os contratos de incentivo fiscal firmados
entre .estados e empresas que estejam em andamento. Esse é
o ponto de maior resistência dos governadores do Nordeste
ao texto de mudança do sistema tributário do
governo. Depois da reunião com os governadores, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a definição
de um prazo de transição permitirá que
sejam feitos ajustes. "Estamos dando um período
longo de transição. Isso pode ir a 2010, depois
alguma coisa em 2014 e 2016", disse. "É preciso
termos tempo para adotar políticas de compensação
para estados que na prática tiverem prejuízos",
afirmou.
O presidente disse que a proposta do governo contempla as
principais demandas dos governadores nordestinos. Ao abrir
o VI Fórum dos Governadores do Nordeste, em Aracaju,
o presidente citou como um dos pontos da proposta que poderia
beneficiar a região, o que estabelece a cobrança
de ICMS no destino. "Isso beneficiará as regiões
mais pobres, que consomem produtos de grandes centros",
disse.
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