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IVA pode compensar desoneração
da folha
Gazeta do Povo (Curitiba - PR) - 01/03/2008
Governo estuda incorporar salário-educação
ao IPI
Brasília – A proposta de emenda constitucional
da reforma tributária do governo já prevê
como será compensada a redução da alíquota
da contribuição patronal ao INSS, que é
atualmente de 20% sobre a folha de salários. Segundo
o projeto, a contribuição poderá ser
substituída parcialmente por um aumento de alíquota
do novo Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) federal. O IVA
federal será criado pela reforma e substituirá
quatro contribuições sociais.
O fato de o texto da proposta de emenda determinar que a compensação
seja feita “por um aumento da alíquota do imposto”
pode indicar que a medida só será colocada em
prática depois que as alíquotas iniciais do
IVA federal, suficientes para produzir uma arrecadação
equivalente à das quatro contribuições
substituídas por ele, estiverem em vigor. Qualquer
compensação, portanto, será obtida às
custas do novo IVA federal.
O previsto IVA substituirá a Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a Contribuição
para o Programa de Integração Social (PIS),
a Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide) – que incide
sobre os combustíveis –, e, por último,
o salário-educação.
A cartilha sobre a reforma tributária, divulgada pelo
Ministério da Fazenda no mesmo dia em que a proposta
foi encaminhada ao Congresso Nacional, na quinta-feira, diz
que “para evitar que a mudança (a redução
da alíquota patronal) se reflita em um aumento do déficit
da Previdência, serão adotadas medidas –
que ainda estão em estudo – para compensar esse
impacto”. A proposta de emenda constitucional, no entanto,
mostra que o caminho já foi escolhido.
O texto da proposta do governo para a reforma afirma que a
lei definirá de quanto será o aumento do IVA
federal (ou IVA-F, como foi apelidado antes mesmo que fosse
apreciado pelo Congresso Nacional). A lei definirá
também o tamanho da redução da alíquota
patronal ao INSS, pois o texto da emenda constitucional não
detalha essa questão.
O governo preferiu propor que fosse incluída na Constituição
apenas a autorização para que a substituição
de parte da alíquota patronal ao INSS pelo aumento
do IVA-F possa ser feita, deixando o restante para ser definido
futuramente em lei.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito, em suas entrevistas
e nos pronunciamentos que tem feito sobre a proposta, que
a intenção do governo é reduzir a alíquota
de 20% para 14% até 2015. Essa desoneração
seria implantada ao ritmo de 1 ponto porcentual por ano.
Mantega tem dito ainda que o governo enviará ao Congresso,
num prazo de 90 dias após a promulgação
da emenda constitucional – se ela for aprovada –,
um projeto de lei que definirá todas essas regras.
Este prazo não consta do texto da proposta de emenda
constitucional.
A proposta de reforma tributária abre a possibilidade
de que essa questão seja disciplinada por meio de medida
provisória, pois estabelece que ela será definida
por lei ordinária. Não há previsão
de lei complementar, no texto da proposta, nem mesmo para
a regulamentação do novo IVA federal.
Mudanças
Algumas alterações na proposta de reforma tributária
já começam a ser cogitadas pelo próprio
governo federal. O presidente da consultoria Trevisan, Antoninho
Marmo Trevisan, membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social, revelou ontem que Guido Mantega
analisa a possibilidade de incorporar o salário-educação
ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e não
ao IVA federal, como propõe o projeto.
Segundo ele, o motivo dessa mudança é diminuir
a base de incidência do IVA federal, que substituirá
a Cofins e o PIS, que incidem sobre o faturamento das empresas,
e a Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide), cobrada sobre os
combustíveis. Esses tributos incidem sobre praticamente
tudo que é produzido no país, de bens a serviços.
Já a base de cálculo do IPI é mais reduzida
e poderia incorporar o salário-educação
sem grandes impactos, avalia o governo. Esse imposto não
incide sobre serviços, produtos destinados à
exportação, energia elétrica, combustíveis
e demais derivados do petróleo, por exemplo.
Orçamento - “Comissão compromete
o Congresso”, diz Garibaldi
As suspeitas de irregularidades na Comissão Mista de
Orçamento provocaram atritos entre o presidente do
Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e os parlamentares do colegiado.
O senador encampou as acusações do PSDB e anunciou
que na próxima semana vai discutir com o presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mudanças
na comissão. Em resposta aos ataques, o presidente
da comissão, senador José Maranhão (PMDB-PB),
e o relator-geral, José Pimentel (PT-CE), formalizaram
uma carta de esclarecimento sobre a montagem do parecer que
será votado na quarta-feira no plenário do Congresso.
O pivô da suspeita é o anexo de metas e prioridades
constante do orçamento. O PSDB acusou, sem citar nomes
nem provas, um pe-queno grupo de parlamentares de estar manipulando
a comissão para beneficiar emendas de seu interesse.
O anexo, que prevê recursos de R$ 534 milhões
para projetos nos estados, foi aprovado como emenda de relator,
um procedimento que PSDB alegou ser irregular.
“Não podemos ficar à mercê de uma
Comissão de Orçamento que compromete o Congresso
Nacional, compromete o Senado, a Câmara, e compromete
todos os parlamentares”, disse o presidente do Senado.
Para contrapor a esse clima de suspeição, Maranhão
e Pimentel convocaram uma entrevista para esclarecer que o
Orçamento foi elaborado dentro das normas legais e
que o anexo de metas já tinha sido aprovado pelo Congresso,
por unanimidade, durante a votação do Plano
Plurianual (PPA) em novembro do ano passado.
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