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Nova lei esquenta negócios
na Trevisan
VALOR ECONÔMICO - 19/03/2008
Graziella Valenti e Nelson Niero
Antoninho Trevisan: convergência contábil ajudará
faturamento crescer 40%
Antoninho Marmo Trevisan está tão animado com
a aprovação da nova lei contábil brasileira
que, aos 58 anos, decidiu adiar sua aposentaria. "Depois
dessa lei, eu me reprogramei para mais 30 anos de contabilidade.
É fantástica, é tudo que sonhei."
Os negócios de sua empresa vão esquentar com
as mudanças trazidas pela lei e a previsão dele
é que o faturamento cresça 40% neste ano, alcançando
cerca de R$ 160 milhões em 2008. No ano passado, a
expansão foi de 28%, para R$ 110 milhões.
Contador de formação e com 37
anos de experiência no ramo, Trevisan é hoje
dono de um grupo que leva seu nome e atua em auditoria, consultoria,
terceirização e ensino. Com tal capilaridade,
o ano promete, dada a quantidade de polêmicas que o
novo ambiente contábil brasileiro está envolvido.
A nova lei, a 11.638, foi assinada pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva em 28 de dezembro, entre
os feriados de Natal e Réveillon de 2007. A publicação
no Diário Oficial ocorreu numa edição
extra do dia 31 de dezembro e pegou de surpresa todos os envolvidos
no projeto - com a exceção de Trevisan.
"Estávamos acompanhando toda a
tramitação no Congresso", afirma, em entrevista
ao Valor na sede da empresa. "Quando a lei foi assinada
saímos com seminários e um guia."
Embora muito pouco para quem aguardou por sete
anos o trâmite da lei no Congresso, esse único
dia trouxe uma grande diferença prática: a vigência
da legislação. Se a 11.638 tivesse sido aprovada
no começo de 2008, os primeiros balanços ajustados
à mudança seriam os de 2009, com publicação
em 2010 - dois anos de adaptação. A realidade,
porém, ficou bastante diferente. Os primeiros balanços
de acordo com a nova lei serão os de 2008, com publicação
no ano que vem, já que a aprovação ocorreu
ainda em 2007.
A lei foi sancionada sem que a Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) tivesse emitido as normas
necessárias para aplicação das diretrizes
dadas pela nova legislação. A Receita Federal
também não havia preparado o terreno e até
hoje permanece a dúvida que mais assombra as companhias:
a despeito do combinado sobre a neutralidade fiscal da lei,
ainda não houve um pronunciamento do Fisco garantindo
a ausência de impactos tributários.
O resultado é um ambiente de dúvidas,
por parte das empresas, e corrida por opiniões e assistência
de gente especializada - auditores e consultores. Por isso,
a despeito de todo o crescimento com as aberturas de capital
do ano passado - a BDO Trevisan assumiu a auditoria independente
de 30% das novatas que foram à bolsa até janeiro
deste ano - o fundador do negócio acredita que 2008
será ainda melhor.
A BDO Trevisan, carro-chefe do grupo, responsável
por 75% da receita total, tem como clientes por volta de 10%
das companhias abertas brasileiras. O grosso do mercado, 60%,
está nas mãos das chamadas "big four":
Deloitte, Ernst & Young, KPMG e PricewaterhouseCoopers
Não por acaso Trevisan está trabalhando
forte para avançar sobre as empresas fechadas que,
com a lei, têm que preparar e auditar um balanço
de acordo com as regras seguidas pelas sociedades anônimas.
Prospectou, inicialmente, 400 potenciais clientes. O número
agora subiu para 800, com 30 contratos já fechados.
"Mesmo as empresas abertas são quase todas controladas
por holdings, que são fechadas." Nada mal, ainda
mais considerando-se que auditores recebem por hora de serviço
prestado e que parte substancial das fechadas nunca sequer
organizou sua contabilidade.
Diante do rápido avanço da lei
no fim do ano passado, ele suspendeu o descanso de fim de
ano dos principais funcionários, para planejar a expansão.
Os contratos fechados são frutos da agenda lotada de
Trevisan, que visita grandes potenciais clientes pessoalmente,
e do esforço de divulgação. No primeiro
trimestre, o grupo deve acumular mais de 100 seminários
sobre o tema.
Trevisan ressalta que é mais comum do
que se imagina um grupo econômico no Brasil ter ativos
superiores a R$ 240 milhões ou faturamento a partir
de R$ 300 milhões por ano, os pisos estabelecidos na
lei "É fácil assim ó", diz
ele, estalando os dedos. "Está cheio de empresa
que fatura na casa de bilhão e que nem eu e nem você
conhecemos", diz, destacando que houve forte crescimento
diversos setores, como o de alimentos, que ainda não
foi percebido. "A lei tem relação com o
momento econômico brasileiro."
Embora digam que contribuiu pessoalmente
para a sanção em 2007, Trevisan desconversa
quando questionado. Reforça que houve interesse da
Febraban (Federação Brasileira dos Bancos),
pois a nova contabilidade agrega segurança aos empréstimos.
Além disso, diz que as multinacionais brasileiras também
estavam interessadas - caso da Gerdau, uma das únicas
que adota o padrão internacional que baliza a lei.
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