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Imprensa - Notícias

Subsídios mascaram os emergentes
GAZETA MERCANTIL - 08/08/2008

A valorização das commodities fez com que o Brasil conseguisse melhorar seu saldo na balança comercial, permitindo que o País pudesse ter uma folga, apesar do câmbio estar numa situação preocupante ao exportador.
A valorização das commodities, essas ligadas à expansão, como é o caso de produtos siderúrgicos, decorreu da demanda que a China gerou quando começou a se industrializar. E este movimento no mundo não pára, com os países emergentes passando por uma grande demanda por produtos dessa linha. Por outro lado, as agências internacionais de risco reconheceram que o Brasil é confiável. O grau de investimento alcançado é bom até para as microempresas, embora não tenha sido o único fator. Há, agora, um interesse diferente. Os investidores estão olhando o País com uma lupa. Eles não estão observando somente as grandes corporações, mas também as médias. Tem-se visto isso a partir da entrada desse tipo de empresa na Bovespa, com faturamento de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões. A abertura de capital representa mais capital próprio, passando as organizações a terem governança, visibilidade e credibilidade.
Em vez de as micros e pequenas empresas irem aos bancos, pagarem juros exorbitantes, elas hoje podem abrir capital, vender ações na bolsa, passar a ter sócios, fazendo o negócio prosperar. Agora, podem recorrer ao mercado de capitais. E, se apresentarem lucros compatíveis com aquilo que propuseram a fazer, tendem a ter mais investidores.
A demanda por alimentos é uma outra matriz, decorre de uma distribuição forçada de renda, transferência que trouxe para o mercado de consumo uma comunidade nova, como dezenas de milhões de chineses e brasileiros, que passaram a comer, além dos indianos e russos.
No que se refere ao petróleo, com patamares tão elevados, vale lembrar que, no passado, diziam que quando o petróleo chegasse a US$ 50 dólares o barril, o mundo estaria quebrando. Hoje está em cerca de US$ 150 e continuamos trabalhando, porque outras fontes de energia estão se viabilizando, exatamente pelo preço que está. Obviamente, o Brasil, que é o melhor produtor de bioenergia, através do etanol, vai se beneficiar mais cedo ou mais tarde com esse cenário. É a tendência mundial, um combustível não poluente, auto-suficiente e limpo.
Essa pressão contra o biocombustível é natural, não podemos esperar que para fazer parte do Primeiro Mundo será fácil. Porém, existem razões muito fortes para criticarmos a Europa e os Estados Unidos, principalmente sobre os subsídios, que acabam fazendo com que países pobres e emergentes paguem mal seus trabalhadores, usando, até mesmo, mão-de-obra infantil. E esse é o ponto que o Brasil deve bater no mercado internacional.
Antoninho Marmo Trevisan, presidente da BDO Trevisan e da Trevisan Consultoria e Outsourcing, São Paulo
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2)(Antoninho Marmo Trevisan, presidente da BDO Trevisan e da Trevisan Consultoria e Outsourcing, São Paulo)

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