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Congresso no Rio debate terceirização
O GLOBO - 31/08/2008
Ministério Público do Trabalho, que vem questionando o sistema de contratação, participará do evento
Concentrar esforços na atividade-fim, transferindo para terceiros a responsabilidade das atividades-meio. Tema ainda polêmico no mercado, a terceirização será discutida no primeiro Congresso de Terceirização e Gestão de Serviços (Conterge), que acontecerá no próximo dia 19, na sede do Jockey Club Brasileiro, no Centro.
O objetivo do evento é mostrar que, quando não há desvio de seu propósito original, a prática pode ajudar empresas a melhorarem seu desempenho, liberando-as para se dedicarem exclusivamente a seu negócio. j,, Para debater a questão, o Instituto Imprendere, organizador do Conterge, pretende reunir dezenas de entidades empresariais e associações de classe ligadas ao assunto, e, inclusive, a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Estado e o Ministério Público do Trabalho, que vem questionando essa prática em todo o país.
Setor de Recursos Humanos terá um painel específico
Os dois órgãos participarão das discussões logo no primeiro painel, que será precedido de uma palestra do professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo (USP), José Pastore. Pontos como as atividades que podem ou não ser terceirizadas, a co-responsabilidade de quem terceiriza e as ações de fiscalização também serão debatidos nesta primeira parte.
Casos de sucesso serão apresentados no segundo bloco, assim como as controvérsias da terceirização no serviço público. O evento terá ainda uma rodada de negócios, em que as empresas poderão oferecer os seus serviços.
Segundo Marcelo Reis, presidente do Instituto Imprendere, não faltam exemplos de profissionais que tinham carteira assinada e acabaram virando empresários no momento em que a empresa decidiu terceirizar suas áreas. Com isso, eles puderam atender a mais de um cliente.
— A terceirização pode ser uma excelente oportunidade para se mudar o paradigma da relação de trabalho, transformando-a numa relação de negócios e estimulando o empreendedorismo. Isso cria um nova mentalidade — sustenta Reis.
Roni Franco, sócio da consultoria Trevisan Outsourcing, diz que muitas empresas ainda têm uma visão limitada da terceirização, apostando na modalidade apenas para reduzir custos.
— Na verdade, os prestadores de serviço se tornam parceiros nos riscos do negócio. Eles ganham e perdem junto com o contratante — diz o consultor, acrescentando que, hoje, a terceirização vai além das áreas de limpeza, segurança e serviços gerais.
Um dos setores que vêm sendo terceirizados nas empresas é o departamento de recursos humanos, que terá um painel específico no congresso.
Investigação do MP em Furnas levou sete anos
No setor público, porém, a prática ainda é cercada de polêmica. Na última quarta-feira, Furnas assinou um acordo com o MP — que levou sete anos investigando o caso da empresa — para, em cinco anos, substituir 1.800 terceirizados por concursados. A empresa terá ainda de destinar R$ 2 milhões ao Senai para requalificar os trabalhadores que serão dispensados. O acordo, diz o procurador Otávio Brito Lopes, assegura o princípio do acesso universal ao emprego público.
O Ministério Público ainda briga com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, para substituir 1.307 terceirizados por candidatos aprovados em concurso, que aguardam convocação.
Mais informações sobre o Conterge no www.imprende-re.org.br/conterge.
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