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Outsourcing na saúde
A Tribuna Piracicabana - 05/07/2008

por Antoninho Marmo Trevisan*


O presidente da Trevisan Consultoria e Outsourcing, Antoninho Marmo Trevisan, traça um panorama do gerenciamento de serviços teceirizados.

O jornalista norte-americano Thomas L. Friedman, ganhador de três prêmios Pulitzer por suas colunas de política externa em The New York Time, é autor, dentre outros livros, de "O mundo é plano".

Esta obra apresenta uma das mais lúcidas visões do processo de globalização e mostra como a convergência de tecnologia e alguns fatores sóciopolíticos permitiram o ingresso da China e Índia na cadeia internacional de fornecimento de serviços e produtos, desencadeando o enriquecimento das classes médias dos dois países mais populosos.

Uma das inevitáveis abordagens da obra, considerando o seu contexto, é o outsourcing, a chamada terceirização com o valor agregado da inteligência, que pode ser contratado a um fornecedor instalado no prédio vizinho ou do outro lado do mundo. Dentre os mercados citados por Friedman em que a modalidade apresenta firme tendência de crescimento incluem-se clínicas e os pequenos e médios hospitais dos Estados Unidos.

O detalhe chamou-me a atenção, pois serviços de outsourcing dimensionados especificamente para hospitais de menor porte, clínicas e consultórios ainda têm baixa demanda no Brasil, a despeito dos expressivos números desses segmentos da saúde, que configuram um mercado de elevado potencial: de acordo com dados de 2005 do Centro de Políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), há 280 mil médicos no País. O Estado de São Paulo concentra mais de 44% do total, com 125 mil profissionais, e tem 31 mil clínicas, sendo 14 mil na Capital, segundo estatística atual do Conselho Regional de Medicina (Cremesp-SP).

Pode-se aludir que parcela significativa desse contingente de profissionais e clínicas esteja abdicando dos benefícios do outsourcing, que lhes permitiria concentrar todo o foco e dar atenção ainda maior à sua atividade-fim. E não me refiro apenas à terceirização de processos técnicos da área da saúde, como se observa, por exemplo, na contratação - às vezes no Exterior - da avaliação de imagens radiológicas ou de ultra-som a fornecedores de inteligência e conhecimento médico. Aliás, há laboratórios brasileiros de análises clínicas prestando serviços como esse a clientes de outros países.


Atividades-meio, incluindo administração e procedimentos burocráticos, também se constituem em objeto da contratação de serviços de outsourcing. Gestão de glosas; assessoria no relacionamento com operadoras e companhias de seguro; sublocação de consultórios; atendimento à TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar); acreditação; custos e orçamentos; impostos; área financeira; contabilidade; folha de pagamento; societário; e capacitação.

Tais soluções, disponibilizadas por empresas de outsourcing, estão ao alcance de consultórios, clínicas e hospitais e lhes proporcionam os benefícios da redução de riscos e racionalização de custos, além de agregarem valor e eficácia a atividades nas quais não têm expertise e que lhes tomam tempo e energia. Com a contratação dos serviços, profissionais e estabelecimentos de saúde ganham mais tempo para se dedicarem ao atendimento médico-hospitalar. Os pacientes agradecem...

Esse mercado, como os demais, exige a satisfação de necessidades específicas, integração entre os serviços tradicionais e determinados, informações gerenciais, flexibilidade e valorização de questões como tradição, experiência e confiança. Como se sabe, a terceirização, com ou sem inteligência agregada, avançou muito no Brasil, em numerosos ramos, auxiliando no desenvolvimento das empresas. Em outra vertente, tanto aqui, como em todo o mundo, contribuiu muito para mitigar as conseqüências negativas do chamado desemprego estrutural ou tecnológico.

Profissionais e organizações da área médico-hospitalar que passem a utilizar as soluções em outsourcing devem, obviamente, tomar cuidados prévios com alguns pontos cruciais, como integridade, ética, qualidade e credibilidade do prestador de serviços. Cumpridos tais requisitos, não há dúvida de que se trata de providência eficiente para melhorar a própria saúde administrativa e operacional de clínicas, consultórios, laboratórios e hospitais.

*Antoninho Marmo Trevisan (a.trevisan@trevisan.com.br) é presidente da Trevisan Consultoria e Outsourcing e BDO Trevisan; e diretor da Trevisan Escola de Negócios.

 

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