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Imprensa - Notícias

Sem comunicar aliados, Lula visita Gramado
Zero Hora - 27/08/2008

Sem comunicar aliados, Lula visita Gramado

O cabo eleitoral mais cobiçado do momento pegou o PT gaúcho e fiéis aliados de surpresa ao desembarcar ontem em Gramado. Decidido a ficar distante do Estado durante a disputa eleitoral deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma exceção na sua agenda e viajou mais de 2 mil quilômetros em nome de uma velha amizade.
Conselheiro e amigo de Lula há 15 anos, o empresário Antoninho Marmo Trevisan foi o responsável pela presença do presidente no 18º Congresso Brasileiro de Contabilidade. Presidente do conselho de uma das maiores empresas de auditoria do país, Trevisan – que também é contador – tirou partido da intimidade com Lula para convencê-lo a prestigiar o evento. O empresário chegou a integrar a lista de possíveis integrantes do ministério e foi um dos responsáveis pela formação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Munido desse currículo, Trevisan telefonou para o presidente. Não bastasse a amizade, o empresário ainda usou argumentos técnicos: Lula poderia aproveitar o evento para assinaturas de convênios de interesse do setor. Temendo reações políticas, Lula hesitou. A camaradagem, no entanto, falou mais alto.

Trevisan convenceu amigo apesar da previsão do tempo

A idéia era de que o presidente participasse da abertura do evento, no domingo. Na sexta-feira, porém, a equipe presidencial ainda não havia sido avisada. Tanto que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, telefonou para a candidata do PT à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário, e combinou participação nas atividades de campanha no domingo. Com a decisão do presidente de atender ao convite de Trevisan, ela alertou a petista de que estaria ao lado do presidente na Serra. A previsão de tempo ruim fez o Planalto voltar atrás.
– A gente esperava Lula no domingo, mas como ele vão veio, houve desmobilização – reconhece um petista.
Trevisan, no entanto, foi perseverante. Assessores palacianos apostam que ele não economizou telefonemas para seduzir o amigo. Convencido por Trevisan, Lula pretendia participar do encerramento do encontro, marcado para amanhã. Compromissos com o Conselhão e a posse de Juca Ferreira no Ministério da Cultura atrapalhariam a agenda. No fim, o plano foi abortado pela segunda vez. A segurança presidencial não aprovou a viagem de carro de Gramado até a Base Aérea de Canoas. Lula bateu o martelo: no dia seguinte embarcaria para o Estado.

Lula promete empreendimento para evitar desemprego no RS

Nem aliados foram avisados da presença de Lula no Estado. Líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT) cumpria agenda em Marcelino Ramos, no extremo norte do Estado. Ao checar a agenda presidencial na manhã de ontem, a assessoria do deputado levou um susto.
– Acessamos o site, e a agenda estava definida. Avisamos o deputado na hora – relatava uma assessora.
Com a conclusão da P-53 em Rio Grande, prevista para este mês, Lula prometeu encontrar um empreendimento para evitar o desemprego de centenas de pessoas que trabalharam no projeto.
– Estamos trabalhando fortemente com a Petrobras para que a gente possa colocar alguma coisa no lugar para manter os trabalhadores no local.
Lula anunciou a inclusão da categoria no Simples 3 (que reduzirá a carga tributária sobre esses profissionais) e, em troca, pediu apoio à reforma tributária. O presidente desembarcou na Base Aérea de Canoas às 15h45min de ontem. Por volta de 19h40min, vindo de helicóptero de Gramado, embarcou de volta para Brasília.

 

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