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Para adoçar os cortes
Monitor Mercantil - São Paulo - SP - 04/01/2008

Para Gandra, aumento do IOF vai prejudicar crédito aos mais pobres

Nova York (Eua) e Brasília - O aumento da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) cobrada do setor financeiro pode reduzir o custo político com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a oposição do Congresso em relação a novos aumentos de impostos. A avaliação é do economista-sênior do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

Para o analista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, "não escondeu o fato de que o aumento da CSLL para os bancos foi politicamente conveniente diante do crescimento e da lucratividade do setor nos anos recentes".

Ramos estima que "o pacote deve ter pouco impacto na avaliação das principais agências de rating" e não deve ser um impedimento" para o país obter o grau de investimento "em algum momento em 2008".

O analista considera ser necessário que o governo detalhe os setores sobre os quais os cortes de gastos recairão. Aumentar a taxação dos bancos, por meio da CSLL, é um movimento que tem um apelo "relativamente popular", salientou.

O analista da Goldman Sachs prevê ainda que, enquanto o aumento de impostos certamente vai se materializar, a redução de despesas pode não ocorrer.

Já o tributarista Ives Gandra Martins afirmou que, apesar de considerar o aumento de 0,38% no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado pelo governo constitucional, é contrário à elevação do tributo.

Para ele, as mudanças propostas pelo governo vão afetar os mais pobres: "Vai atingir exatamente quem não tem dinheiro para comprar à vista e é obrigado a comprar a prazo. Vai atingir aqueles que têm necessidade de financiamento", avalia.

Corte em investimento trava PAC

"A princípio, não vejo risco de inversão das expectativas. As novas medidas compensarão apenas a quarta parte da arrecadação da CPMF, que atingia a economia como um todo e não apenas ao setor financeiro. O que precisa ser observado é como o governo vai reduzir gastos. Se for no investimento, vai prejudicar a economia." A análise é do economista Mário Jorge Cardoso de Mendonça, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao comentar as medidas para compensar a perda de R$ 40 bilhões da extinta CPMF.
Já o presidente da BDO Trevisan, Antoninho Marmo Trevisan, classificou de "adequadas" as medidas do governo: "O fim da CPMF pegou o setor público de calças curtas. Mas o governo não trocou seis por meia dúzia, já que os custos incidirão uma única vez sobre os setores específicos", observou.

Já o professor de mercado financeiro da própria Trevisan (Escola de Negócios) Alcides Leite preferia um esforço concentrado para aprovar o projeto de reforma tributária em tramitação no Congresso: "A elevação da alíquota do IOF vai encarecer as operações de crédito bancário e pode afetar até os financiamentos de veículos", disse.

Já o economista Raul Velloso acha que o fim da CPMF "deve atingir o coração do PAC" e afetar os investimentos em infra-estrutura. Ele põe em dúvida o cumprimento da meta de 3,8% do PIB para o superávit primário para 2008. E Paulo Skaf, presidente da Fiesp, classifica a alta de impostos "um lamentável presente de ano novo do governo ao povo brasileiro".

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