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Reforma endurece com guerra
fiscal
Zero Hora (Porto Alegre - RS) - 28/02/2008
A proposta de mudança do sistema
tributário, que será entregue hoje ao Congresso
pelo ministro Mantega, prevê punição aos
Estados que reduzirem impostos para atrair investimentosEm
discussão no governo desde 2003, a proposta de reforma
tributária que chega hoje ao Congresso ainda enfrenta
resistências e desconfianças de parlamentares,
governadores e de parte dos empresários.
Apesar dos elogios na apresentação da proposta
ontem, no Palácio do Planalto, empresários cobraram
uma reforma mais ambiciosa e a efetiva redução
da carga tributária, hoje em cerca de 38%. Eles lembraram
que, mesmo sem a CPMF, houve recorde na arrecadação
de impostos. Representando os governadores, os secretários
de Fazenda foram cautelosos ao avaliar a proposta e não
se comprometeram com a aprovação. Na última
hora, ontem, foi incluída mais uma medida de combate
à guerra fiscal, que atende à maioria dos governadores.
Lula diz que reforma torna o tributo mais justo
O governo, acatando sugestão de vários governadores,
inclusive do tucano Aécio Neves (MG), decidiu manter
uma alíquota residual de cobrança do ICMS nos
Estados de origem dos produtos, de 2%. Até terça-feira,
a idéia era passar toda a cobrança para o Estado
de destino, como forma de acabar com a guerra fiscal. Agora,
a proposta prevê punições para Estados
que mantiverem condutas de guerra fiscal.
O documento do Ministério da Fazenda diz que "os
Estados que concederem novos benefícios (para atrair
empresas e investimentos) não terão acesso aos
recursos do Fundo de Participação dos Estados
(FPE), do novo Fundo de Equalização de Receitas
(FER) nem do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional".
Em discurso aos empresários, Lula disse que a reforma
torna o tributo brasileiro "mais justo" e que se
pode "sonhar" com a redução de impostos
no país. Tanto Lula quanto o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, admitiram ser difícil aprovar a proposta em
2008, por ser ano eleitoral. Mas reafirmaram o compromisso
de que a reforma, com a criação do Imposto Sobre
Valor Adicionado (IVA federal) e do Novo ICMS, não
trará aumento de carga tributária. Se aprovada
este ano, a reforma começa a vigorar em 2010, com período
de transição até 2016, no caso do Novo
ICMS.
- Vamos fazer dessa proposta de política tributária
uma profissão de fé e vamos para dentro do Congresso
conversar com os nossos deputados e senadores, para que eles
enxerguem que quem vai ganhar com isso não é
o governo, não é o Mantega, não é
o presidente Lula, que não é candidato a nada.
Quem vai ganhar com isso é o povo trabalhador - disse
Lula, afirmando que o governo tem pressa:
- Se o governo pudesse, faria por decreto. Como não
pode, tem de mandar para as instâncias democráticas.
Fazenda estuda redução do IR para
pessoas físicas
Mantega disse que apresentará na próxima semana
um projeto de desoneração do Imposto de Renda
para a pessoa física. Ele não quis antecipar
nenhum detalhe do estudo elaborado pelos técnicos do
ministério em torno do alívio da carga fiscal
para os trabalhadores, mas garantiu que uma parte da população
vai pagar menos imposto.
Cobranças para reduzir peso da carga tributária
Coube ao presidente da Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e ao consultor Antoninho
Marmo Trevisan pedirem uma reforma mais ousada no encontro
de ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
quando foi apresentada a reforma tributária.
Para Skaf, o aumento da arrecadação ocorrido
em janeiro deve ser repassado à população
na forma de redução de impostos.
- Vamos à luta para que seja aprovada ainda este ano
a melhor reforma tributária possível. Mas haverá
aumento de arrecadação e que isso seja devolvido
à população, com redução
de alíquotas - disse Skaf, que comandou a oposição
dos empresários à prorrogação
da CPMF, derrubada pelo Legislativo.
- Houve o fim da CPMF e houve aumento de arrecadação.
Então, a máxima vale: quanto menor for a alíquota,
mais pessoas se prontificam a recolher o tributo. Presidente,
não tema a redução de alíquota,
porque, cada vez mais, ela vai aumentar a arrecadação
- afirmou Trevisan, em tom amistoso.
Para o presidente da Confederação Nacional das
Indústrias (CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE),
o Imposto sobre Serviços (ISS), cobrado pelos municípios,
deveria ter sido extinto e incluído no Novo ICMS. Mas
citou como avanços a simplificação do
sistema financeiro, o fim da guerra fiscal e a desoneração
dos investimentos.
- A proposta contém avanços inegáveis.
Poderia ter mais ambição? Eu diria que sim -
disse Monteiro.
Entusiasmado, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter
acompanhou o discurso de Lula de pé e, depois, classificou
como "extraordinária" a proposta.
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