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Especialistas criticam
proposta de reforma tributária
Congresso em Foco - 20/05/2008
A comissão da Câmara que analisa a proposta de
reforma tributária realizou hoje (20) uma audiência
pública para discutir as mudanças no sistema
tributário brasileiro. Os convidados fizeram duras
críticas à proposição, citando
especialmente o fato de o Legislativo estar subordinado ao
Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz)
e também a criação do Imposto de Valor
Agregado Federal, o IVA-F.
O ex-secretário da Receita Federal Osiris
Lopes Filho afirmou que a proposta “ passa um atestado
de insignificância do trabalho do Legislativo”.
Osiris criticou os poderes do Confaz, que poderia reduzir
alíquotas ou isentar produtos, dizendo que “é
um órgão que se sobrepõe ao Senado”.
Antoninho Marmo Trevisan, presidente da Academia
Brasileira de Ciências Contábeis, alertou para
o fato de o contribuinte não ter conhecimento de quanto
paga de tributos pelos produtos que consome. “É
impossível ao consumidor brasileiro saber quanto ele
paga de tributo”, disse. Trevisan também afirma
que no Brasil existe um “preconceito fiscal”.
“Verificamos que o batom é um dos
produtos mais tributados. Fomos verificar por que e nos disseram
que era porque batom era supérfluo. Supérfluo
para quem? Os maiores consumidores de batom estão nas
classes de consumidores D e E”, afirmou. Antoninho lembrou
que países parecidos com o Brasil têm uma carga
tributária de 25 pontos percentuais, dez a menos que
a brasileira.
O presidente do Conselho de Direito Constitucional
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional São
Paulo, Antônio Carlos Rodrigues, afirmou que a proposta
da reforma tributária é a “constitucionalidade
do retrocesso”.
“É uma mini-reforma, mas os efeitos
são contundentes. O governo não quer que os
contribuintes saibam quanto estão pagando de alíquotas.
Precisamos introduzir um rol de direitos básicos dos
contribuintes”, defendeu.
Antônio Carlos discordou da criação
do IVA federal, criticando a definição do tributo
e sua base de contribuição. “Este IVA
federal tributará potencialmente todas as pessoas físicas
e jurídicas”.
Everardo Maciel, ex-secretário da Receita
Federal na gestão Fernando Henrique Cardoso, mostrou
que a maioria das mudanças alardeadas pelo governo
viria somente numa regulamentação posterior,
por leis ordinárias. “É como se desse
um cheque em branco para o futuro. Se não se conhece
a legislação, não se pode, a priori,
dizer que há aperfeiçoamento”, completa.
Coube ao secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Bernado Appy,
fazer a defesa do governo. Appy rebateu as críticas
de que o IVA federal, uma unificação de diversos
tributos, teria uma definição muito abrangente
e imprecisa. “Esta redação é a
mesma do IVA europeu. A idéia é fazer o padrão
tributário brasileiro convergir para os padrões
internacionais”, respondeu. (Tatiana Damasceno)
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