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Sustentabilidade é
novo alvo das consultorias
D.C.I. - 30/05/2008
O amadurecimento dos investimentos socioambientais
privados no Brasil e a entrada de novas empresas interessadas
em alinhar conceitos de sustentabilidade aos seus negócios
têm ampliado a atuação das grandes empresas
de auditoria e consultoria, como PriceWaterhouseCoopers e
BDO Trevisan. Ambas são veteranas no assunto, tanto
na estruturação de projetos de sustentabilidade
como em auditoria de relatórios sociais. De olho nesta
área, Ernst & Young, KPMG e Deloitte Touche Tohmatsu
também criaram recentemente suas divisões para
atuar neste mercado.
Com mais de dez anos de atuação
nesta área no Brasil, a PriceWaterhouseCoopers (PwC)
registra uma expansão de 30% ao ano atendendo a essa
demanda e espera mais, por conta dos investimentos que devem
aportar no País, motivados pela obtenção
do grau de investimento concedida pela agência de classificação
de risco Standard & Poor's.
"Com a elevação do Brasil,
teremos uma série de fundos comprando empresas aqui,
e a área ambiental é uma parte importante da
análise de riscos para os investidores", comenta
Ernesto Cavasin, gerente da área de sustentabilidade
da PwC.
O consultor acredita que terá demanda
de serviços de due diligence, ou seja, para a análise
e avaliação dos aspectos ambientais das empresas
brasileiras com potencial para receber estes investimentos.
"Teremos demanda destes fundos para entender a composição
do valor que a parte de passivos ambientais agrega na composição
das empresas", aposta o consultor.
Atualmente, a consultoria possui mais de 30
clientes em toda a cadeia de serviços da área
de sustentabilidade, que envolve consultoria a projetos de
sustentabilidade, elaboração de relatórios
sociais, desenvolvimento de projetos de crédito de
carbono, inventariado de emissões e de indicadores
ambientais e análise de ciclo de vida dos produtos,
que analisa o impacto dos produtos no meio ambiente. "O
que acontece atualmente é que muitas companhias fazem
investimentos aleatoriamente. O que fazemos é orientar
os investimentos das empresas para que elas obtenham um retorno
mais eficiente".
Por uma política interna, a empresa não
pode divulgar seus clientes atuais, mas garante que já
atendeu companhias como a Energias do Brasil, Natura, Sadia
e Perdigão e realizou a auditoria dos projetos de reflorestamento
executados pela SOS Mata Atlântica. Segundo Cavasin,
grande parte dos clientes é de grande porte, mas também
existem casos de pequenas empresas e Sociedades de Propósito
Específico (SPEs), em busca de acesso à capital.
"Isso porque, se as empresas querem ter mais investidores
e acesso a capital, elas têm de se adequar aos padrões
ambientais e conhecer seus riscos", diz.
Este tipo de análise acompanha a divisão
desde 1992, quando a área de sustentabilidade iniciou
suas atividades através de parcerias com outras empresas.
"O nosso primeiro cliente foi uma fábrica de tintas
em Campinas. Depois, prestamos consultoria ao Banco Mundial
para apoio à analise de investimentos em controle ambiental",
comenta o gerente.
A chegada do Protocolo de Kyoto, em 1997, abriu
as portas para a empresa atuar na área de auditoria
ambiental. "Evoluímos na área de auditoria
e análise ambiental das empresas, que é uma
extensão do trabalho que fazemos para os clientes de
auditoria financeira, ajudando na gestão dos riscos
ambientais", aponta.
Trevisan
Próximo de completar 25 anos, o grupo
Trevisan, que nas áreas de auditoria, consultoria,
terceirização e ensino também deve entrar
no rol de empresas prestadoras de contas das ações
socioambientais. Membro do Instituto Ethos, Antoninho Marmo
Trevisan, fundador do grupo, escolheu a data comemorativa
para publicar o primeiro balanço social da empresa.
"Vamos publicar nosso primeiro relatório de sustentabilidade
este ano", relata Mauro Ambrósio, sócio
responsável pela área de sustentabilidade da
BDO Trevisan, empresa de consultoria e auditoria do grupo.
Com sete anos de atuação na área
de sustentabilidade, a BDO Trevisan aponta um crescimento
de 20% da divisão este ano. Atualmente, ela atende
100 empresas, de tamanho variado, como Bridgestone Firestone,
Colégio Dante Alighieri e a usina Itaipu-Binacional.
"A demanda está tão alta que eu chego a
realizar duas visitas por dia a empresas interessadas no assunto",
diz.
Para se ter idéia do potencial deste
mercado, a consultoria realizou uma pesquisa para identificar
o universo de empresas que realizam ações de
sustentabilidade. "Hoje há mais de mil empresas
que publicam relatórios sociais. Detectamos 4 mil empresas
que fazem ações relacionadas à sustentabilidade,
que vão da escolha socialmente responsável de
fornecedores a ações de governança corporativa,
entre outras."
A empresa faz auditoria de balanços sociais
e dá consultoria para a definição de
planos estratégicos de sustentabilidade. De cada três
novos projetos que chegam à companhia nesta área,
dois são para auditoria. Há quatro anos, a relação
era de um para três.
"A expansão dos serviços
de auditoria deve-se à necessidade de obter mais segurança
interna na prestação das informações
dos balanços sociais e à demanda por mais transparência
na prestação de contas, estimulada pela adoção
do padrão internacional GRI, criado pela ONG holandesa
Global Reporting Initiative (GRI) e adaptada ao Brasil pelo
Instituto Ethos, para a elaboração de relatórios
de sustentabilidade", afirma.
A empresa também tem demanda para orientação
estratégica de programas de sustentabilidade, que está
sendo otimizada com a aplicação de um software
de gestão. "Fazemos um plano estratégico,
que avalia os pilares sociais, ambientais, econômico-financeiros
e de governança corporativa, e aplicamos essa ferramenta,
para avaliar os indicadores e identificar o que deve ser melhorado",
diz.
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