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Foco nos negócios
Gazeta Mercantil - 21/05/2008
A terceirização de processos de negócios
(BPO), que abrange os serviços administrativos, contábeis,
fiscais, financeiros e relativos à gestão de
pessoas, sempre foram práticas que consumiram tempo
e esforço das organizações para mantê-las
funcionando com eficiência, embora não se tratassem
de atividades-fins – ou aquelas prioritárias
voltadas diretamente aos negócios centrais das empresas.
Isso não quer dizer que o chamado back office não
seja ponto de apoio fundamental para o desenvolvimento das
organizações no ambiente econômico e social.
Porém, há cada vez mais empresas entregando
essas atividades-meios às firmas especializadas no
assunto. A sua implementação, no entanto, requer
oportunas considerações.
A prática de outsourcing, como é
chamado esse tipo de serviço, tem premissas básicas
para sua boa realização. A mais importante delas
é relacionada à necessidade de eficaz comunicação
entre o contratante e o contratado desde o início das
relações. Isso permite que o diálogo
se estabeleça de maneira constante, sendo possível,
assim, que mudanças de rumos necessárias ao
longo do projeto se realizem de modo rápido e sem traumas
para ambos os lados.
No fundo, a flexibilidade é a chave do
sucesso nesse tipo de parceria. Compromissos rígidos
acabam cegando mudanças imprescindíveis ao longo
de um acordo – e do jeito que as transformações
acontecem de maneira rápida na economia globalizada,
não há como deixar de contar com esse aspecto.
Isso também não quer dizer que impactos futuros
possíveis não sejam calculados e previstos antecipadamente.
As empresas que oferecem serviços de outsourcing têm
metodologias de sucesso para presumir o bom andamento dos
trabalhos.
Ainda sobre a relação entre contratante
e contratado, faz-se necessário ambos reunirem-se regularmente,
mantendo uma agenda comum de integração e aprofundamento
dos serviços em desenvolvimento. Tais encontros também
permitem aculturamento dentro das organizações
para o real objetivo do outsourcing.
Do lado das organizações, a clareza
na estratégia dos negócios é fundamental
para a contratação dos serviços de outsourcing.
Quando as requisições internas não estão
muito claras dentro da empresa para contratação
do parceiro, a falta de conhecimento do que o terceiro realmente
pode fazer e alcançar, a ausência de preparo
para receber o serviço do contratado e a dificuldade
do aculturamento interno à prática ameaçam
a introdução do outsourcing nas empresas. Contudo,
esses itens não são irreparáveis. São,
sim, exercícios saudáveis para se debater dentro
das organizações, aliados às discussões
sobre os cenários existentes para otimização
de sua atividade central.
Por fim, sabe-se que as empresas podem concentrar-se
na expansão de seus negócios quando contam com
parceiros experientes na prestação de serviço
de outsourcing. Mais do que nunca, é o que todos devem
fazer – ou pelo menos estudar para ter como avaliar
vantagens – para manter-se competitivo no seu mercado
de atuação. O back office não pode ser
negligenciado nesse processo. Ao contrário, pode ser
aperfeiçoado a partir da contratação
de adequados parceiros. E isso pode ser determinante para
o sucesso de qualquer organização no universo
corporativo.
(Roni de Olivieira Franco é sócio
da Trevisan Outsourcing e professor da Trevisan Escola de
Negócios. Email: roni@trevisan.com.br)
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