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A força dos serviços
Gazeta Mercantil - 25/06/2008
Elas sofrem com a falta de crédito, os juros dos empréstimos
e os tributos, mas não deixam de crescer em número
e no bolo que forma a economia brasileira. As pequenas e médias
já somam 5,028 mil empresas do total de 5,110 mil existentes
no País, segundo o último levantamento do Sebrae.
A maior parte - 1,048 mil, cerca de 30% - opera na área
de serviços, que apresenta maior atrativo para os novos
empreendedores. No total, as MPEs respondem por 98,4% das
empresas, 67% das ocupações e 20% do PIB. Sem
contar outras 10 milhões que o IBGE estima que atuam
na informalidade. Elas são o colchão amortecedor
do desemprego, principalmente porque nascem como alternativa
de ocupação para quem tem condições
de desenvolver o próprio negócio. Segundo o
economista e coordenador do Observatório das Micro
e Pequenas Empresas do Sebrae, Marco Aurélio Bede,
a área de serviços cresce 7% ao ano, o comércio
5% e a indústria 2,5%. "A fronteira de expansão
da economia, principalmente urbana, está em cima do
setor de serviços", diz. "É uma tendência
mundial muito forte nas metrópoles, com a concentração
de pessoas, o aumento da renda e uma demanda mais sofisticada
das famílias".
Não sem sentido, o segmento mais dinâmico e que
mais cresce é o de informática -- 12,5% ao ano.
Outra área que apresenta forte presença entre
as novas empresas - cresce 9% ao ano - é a de transportes,
desde serviços de entrega, taxistas até transporte
de cargas e passageiros. O coordenador do Sebrae sente um
vigor também na área de aluguel de máquinas,
veículos, equipamentos de informática e objetos
pessoais. Atividades de intermediação financeira,
como corretagem de seguros e de imóveis, são
outros serviços que ganham espaço. Detecta ainda
um impulso nas atividades recreativas, como academias de ginástica.
"São serviços que vêm crescendo com
a segmentação maior das atividades", afirma.
Por outro lado, a terceirização nas empresas
gera novas atividades além das tradicionais áreas
de limpeza e manutenção - como os serviços
de motoboys, editoração e gestão de recursos
humanos.
O sócio da Trevisan Outsourcing, Roni de Oliveira Franco,
vê as companhias interessadas cada vez mais no seu core
business - seu produto - terceirizando os serviços
de back-office. O presidente do Instituto Brasileiro de Consultores
de Organização (IBCO), Luiz Affonso Romano,
lembra que a globalização e a automação
reduziu o número de gran-des empresas, houve dispensa
de mão-de-obra de áreas burocráticas
e outras mais qualificadas que partiram para seu próprio
negócio - e o segmento de serviços traz maiores
facilidades para a abertura de uma empresa, exige pouco ativo
ou matéria-prima, pode ser a empresa de um homem só.
"Hoje uma empresa é o profissional e seu pen drive,
seu escritório é onde estiver sua cabeça",
afirma. "Além disso, ninguém mais fica
25 anos em uma empresa e muitas empresas não duram
mais 25 anos, estão sendo adquiridas, dispensam os
profissionais. Esse pessoal, acima de 40 anos, com experiência
e competência, tem mais dificuldade de voltar ao mercado
então abre seu negócio".
Tendência crescente
O coordenador do Sebrae diz que esse movimento deve ter continuidade.
"Estimamos que perto de 2020, o setor de serviços
pode absorver 50% das empresas". Affonso Romano acredita
que o crescimento do país com inflação
controlada também favorece esse movimento. Oliveira
Franco diz que a confiança na economia leva as pessoas
a exigir novos serviços. Um dos problemas nesse processo
é o elevado nível de mortalidade dessas empresas.
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