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Consolidação
do outsourcing no Brasil
Gazeta Mercantil - 26/05/2008
Em pesquisa realizada com 2.850 empresas de todo o Brasil,
o Anuário Brasileiro do Setor de Serviços (2007/2008)
mostra que 92% das empresas acreditam que outsourcing (subcontratação
de serviços) é uma tendência mundial;
e 86% já utilizaram ou utilizam algum tipo de serviço
de outsourcing.
Manter o foco no seu "core business" é o
principal objetivo para a contratação de uma
empresa de outsourcing. Das empresas pesquisadas pelo anuário,
90% disseram que esta contratação tem este objetivo.
Isso comprova que a prática já faz parte do
dia-a-dia das organizações na busca por maior
participação em seus mercados de atuação.
A realização da prática de outsourcing
começou em meados da Segunda Guerra Mundial, quando
a indústria bélica americana, devido à
enorme demanda, estava em franco crescimento. Para tentar
suprir os pedidos de armamentos, as empresas contrataram alguns
serviços de outras companhias.
No Brasil, esta prática levou mais algum tempo para
chegar. Inicialmente, o conceito de terceirização
foi disseminado entre as empresas, oferecendo ganhos de produtividade.
Com a evolução das empresas e do mercado, as
necessidades na área aumentaram.
Até o final da década de 60, a técnica
parecia que nunca se estabeleceria no País. Porém,
em 1970, foi criada a Associação Brasileira
de Empresas de Serviços Terceirizáveis e de
Trabalho Temporário (Asserttem). Quatro anos depois,
foi regulamentada a Lei n 6.019, constando que o trabalho
temporário é aquele prestado por pessoa física
a uma empresa para atender à necessidade transitória
de substituição de pessoal regular e permanente
ou acréscimo extraordinário de serviço.
Estes foram dois grandes passos para o trabalho de outsourcing
se estabelecer definitivamente no Brasil.
No final dos anos 80, os serviços na área eram
basicamente de limpeza, vigilância, alimentação
e segurança. Na década seguinte, atingiram outras
atividades das empresas. O crescimento de serviços
de outsourcing na geração de empregos entre
1985 e 1995, representou mais de 70%, sendo o setor que mais
expandiu nas regiões metropolitanas. Em 1998, foi criado
o Projeto de Lei n 4.302, que atualiza a Lei n 6.019/74 e
regulamenta a terceirização.
Assim, o setor de outsourcing no Brasil passou a acompanhar
o crescimento mundial da prática. Com a industrialização
e a urbanização acelerada, houve um grande aumento
da participação do segmento na economia. Dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) e do Ministério do Trabalho, em pesquisa realizada
pela Universidade de Campinas (Unicamp), apontaram que entre
1995 e 2005 os serviços de outsourcing criaram 2,3
milhões de empregos formais, o que equivale a 33,8%
dos postos de trabalho do setor privado.
De acordo com o Anuário Brasileiro do Setor de Serviços,
dois fenômenos estiveram presentes na história
destas atividades no século XX. O primeiro, se refere
ao crescimento quantitativo destas atividades, em termos da
geração de emprego e de produto; o outro, se
relaciona à diversificação das atividades
do setor.
Atualmente, os setores a utilizarem os produtos oferecidos
por empresas de outsourcing incluem Tecnologia da Informação
(TI), administração geral, tributárias,
recursos humanos, contábil, finanças, entre
outros. Os ganhos com a prática de outsourcing obtiveram
muita importância e são imensos para as contratantes,
como desenvolvimento econômico, especialização
de serviços, competitividade, aumento de qualidade,
controles adequados, diminuição de desperdício,
valorização dos talentos humanos e maior lucratividade
e crescimento. Ou seja, passaram a ser imprescindíveis
na manutenção e conquista de mercado.
Nos últimos anos, diversos projetos sobre terceirização
foram apresentados no Congresso Nacional objetivando aperfeiçoar
a lei na área. Atualmente, dois deles foram consolidados
em um e tramita nas comissões de trabalho da casa.
Conforme descreve este texto, o outsourcing vem gerando emprego
há anos. Portanto, torna-se imprescindível que
a nova lei que está sendo escrita para o segmento não
ameace a sua consolidação.
Roni de Oliveira Franco, sócio da Trevisan Outsourcing
e professor da Trevisan Escola de Negócios, São
Paulo
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