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Centrais defendem menos
horas de trabalho; especialista diz o que muda
InfoMoney - 30/05/2008
Por: Karin Sato
SÃO PAULO - O Dia da Luta pela Redução
da Jornada de Trabalho foi comemorado pelos trabalhadores
na última quarta-feira (28), com direito a manifestações
organizadas pelas centrais sindicais.
Na capital paulista, o km 16 da Rodovia Raposo
Tavares e a Avenida Otaviano Alves de Lima, na Freguesia do
Ó, foram palcos das reivindicações logo
pela manhã. Os manifestantes exigiam uma redução
da jornada de trabalho semanal, de 44 horas para 40 horas.
Antes do evento, a Força Sindical contabilizava
588.578 assinaturas para o abaixo-assinado que será
entregue no Congresso Nacional na próxima semana, com
o pedido de redução da carga horária.
Contexto
No início do mês, o ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, revelou sua posição a favor da
proposta. Ele afirmou que é legítimo que os
trabalhadores se organizem e defendam a diminuição
das horas de trabalho.
Lupi ainda destacou que a questão será
discutida no Congresso e, caso seja aprovada a mudança,
o País não perderá em competitividade,
pois toda a economia mundial tem leis parecidas. Segundo Lupi,
até na China, onde a mão-de-obra é muito
barata, os trabalhadores começaram a fazer reivindicações
por direitos trabalhistas.
Já em novembro do ano passado, o Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos) publicou um estudo que dizia que a
redução na jornada de trabalho geraria um potencial
de criação de cerca de 2.252.600 empregos.
Para a Fecomercio (Federação do
Comércio do Estado de São Paulo), entretanto,
a proposta pode prejudicar a criação de novos
postos de trabalho, incentivando a informalidade, uma vez
que o mecanismo vai contra fundamentos econômicos que
levam à promoção efetiva de empregos,
implicando, ainda, um aumento de custos para as empresas,
já que não é prevista redução
proporcional dos salários.
O que mudaria
O sócio da Trevisan Outsourcing, Vagner Jaime Rodrigues,
deu sua opinião sobre a redução da jornada
de trabalho. Para ele, em um primeiro momento, a mudança
não causaria aumento da oferta de emprego na totalidade
dos segmentos, porque muitos sindicatos já negociaram,
no passado, diminuição na carga horária
do trabalhador.
O que pode ocorrer é o aumento das horas
extras, o que também não dá espaço
para novos postos de trabalho. "Muitos funcionários
já trabalham hoje mais do que é permitido por
lei ou convenção coletiva. A redução
na jornada de trabalho pode resultar em mais horas extras.
Seria o caso de a mudança ser implementada em conjunto
com uma política de fiscalização do governo
mais rigorosa. É uma precaução que não
basta colocar no papel. O governo precisa investir na infra-estrutura
da fiscalização", analisa.
Uma hipótese levantada por alguns especialistas
é a compra de mais máquinas por parte do empresariado,
em substituição à mão-de-obra,
que ficaria mais cara. Essa opinião não é
compartilhada por Rodrigues. "Se partirmos do princípio
de que o avanço tecnológico já é
acompanhado pela indústria, isso não deve acontecer.
A possibilidade existe, mas é pequena".
Ele também não acredita que as
organizações irão se mudar para países
onde a mão-de-obra é mais barata. "Não
acredito nisso. A decisão de transferir sua produção
a outro país se deve a um conjunto de fatores",
ponderou. Mas o empresário não descarta a chance
de aumento da informalidade, com mais contratações
informais.
Discussão mais profunda
Segundo Rodrigues, o Brasil pode e deve seguir o exemplo de
muitos países desenvolvidos que reduziram a carga de
trabalho em prol da qualidade de vida da população.
Entretanto, ele propõe uma discussão mais profunda,
que diz respeito ao que o profissional fará com as
horas adicionais que ganhará para seu lazer.
"O que o trabalhador irá fazer durante
essas quatro horas que ganhará? Ele irá estudar,
passar mais tempo com a família ou ficará no
bar?", questiona. Para o especialista, o País
ganharia mais se, caso a proposta seja aprovada, sua implementação
fosse acompanhada de políticas governamentais de incentivo
à capacitação, por exemplo.
As próprias empresas poderiam recuperar
o custo que teriam com a mudança - que acarretaria
em encarecimento da mão-de-obra - por meio de treinamento
e capacitação. Isso porque o profissional mais
capacitado e motivado pode produzir mais.
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