| Imprensa - Notícias
A importância do
Conselhão
O LIBERAL (Belém - PA) - 27/05/2008
MURILLO DE ARAGÃO
Visto com desconfiança por muitos na
época da sua criação, o Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES), conhecido como conselhão,
ganha importância crescente no cenário institucional
e nas últimas semanas tem se destacado no debate da
reforma tributária e de questões de infra-estrutura.
Na semana passada, o conselheiro Antoninho Trevisan
foi debater o tema na Câmara dos Deputados e na semana
anterior, o CDES promoveu um seminário com a presença
de Sandro Mabel e Antonio Palocci, respectivamente, relator
e presidente da Comissão Especial do tema na Câmara.
Nos eventos em que participa, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva tem apelado para que os conselheiros intensifiquem
seus contatos com os demais poderes e apresentem sugestões
para serem considerados pelo Ministério. Claramente,
estimula que o CDES assuma o papel de conselho consultivo
do governo. Um dos novos temas que o CDES vai tratar é
a questão do transporte aéreo, tanto sob o aspecto
de infra-estrutura quanto do ponto de vista do tráfego
aéreo internacional.
Apenas este ano, o CDES promoveu diversos eventos.
Entre eles, o já mencionado Seminário Reforma
Tributária, o II Encontro dos Conselhos Nacionais -
Desenvolvimento e Promoção da Eqüidade,
ligado ao Observatório da Eqüidade; o Encontro
CDES/OIT/PALOP (Países Africanos de Língua Oficial
Portuguesa) no Itamaraty; a reunião para debater a
situação do PAC e dos portos no âmbito
do Grupo de Trabalho Agenda da Infra-estrutura para o Desenvolvimento;
o 5º Encontro Sociedade Civil - União Européia
e América Latina-Inclusão Social e Migração,
Alterações Climáticas e Recursos energéticos,
em Lima (Peru); o colóquio Perspectivas de Crescimento
da Economia Brasileira e a Crise Internacional, no Rio; a
solenidade de entrega da Reforma Tributária no Congresso
Nacional; a Mesa Redonda Internacional-Energia para o Desenvolvimento
com Eqüidade e Responsabilidade Ambiental no BNDES.
O mais relevante no conselho é o fato
de que lideranças da sociedade civil - tanto de trabalhadores
quanto de empresários - estão dialogando intensamente
sobre problemas nacionais. Outro fato de destaque é
o nível da representação. Por exemplo:
fazem parte do conselho o empresário Jorge Gerdau,
as principais lideranças da CUT e CGTB, entre outras.
Da sociedade civil, as lideranças de Viviane Senna
e Zilda Arns são alguns dos destaques. Este ano, os
ministros Guido Mantega, Paulo Bernardo, Mangabeira Unger,
Dilma Roussef, Fernando Haddad e Celso Amorim, além
dos presidentes da Câmara e do Senado, participaram
de eventos do CDES e debatendo fracamente temas de interesse
nacional.
Desde a sua posse, o ministro José Múcio
Monteiro (Secretaria de Relações Institucionais)
decidiu intensificar as ações do CDES por entender
que ele pode lhe auxiliar no trabalho de articulação
política com o Congresso. Por sugestão de alguns
conselheiros, o CDES deverá começar a dialogar
com os membros do Conselho Político, entre outros públicos
nas esferas pública e privada, alem de promover mais
eventos tanto em Brasília quanto nas capitais.
No dia 5 de junho, o CDES vai realizar sua segunda
plenária este ano e deverá formalizar a indicação
de um grupo de conselheiros para integrar a Mesa Diretora
com um mandato de seis meses, conforme deliberação
da Oficina de Governança realizada em Brasília,
esta semana, com a presença do presidente Lula. O grupo
de governança visa dinamizar, ainda mais, as atividades
do grupo e estreitar a interlocução do conselho
com o presidente Lula e com os demais públicos de interesse.
Murillo de Aragão é mestre em
Ciência Política e doutor em Sociologia pela
Universidade de Brasília
VOLTAR
|