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Terceirização gera economia
Estratégia é uma alternativa para quem pretende se dedicar apenas ao negócio fim.
Demissões, cancelamento de novas contratações, revisão de investimentos e também das operações são algumas das medidas que têm sido amplamente utilizadas pelo empresariado brasileiro com o objetivo de reduzir custos. Em tempos de crise, os empreendedores também lançam mão de ferramentas de gestão, como a terceirização, que, para os especialistas, é uma alternativa para quem pretende se dedicar apenas ao seu "negócio fim".
O sócio da Trevisan Outsourcing, Roni de Oliveira Franco, não arriscou um percentual de redução de custos quando uma empresa opta pela terceirização, mas afirmou que nem sempre o fator financeiro é o mais importante. "Em períodos de crise, é imprescindível que as empresas direcionem o foco às áreas centrais do negócio", avaliou.
Outro ponto importante destacado pelo executivo é que a ferramenta outsourcing (terceirização) também auxilia a empresa a incrementar o nível de eficiência, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de produtos e serviços ou mesmo à inovação e análise da concorrência. No entanto, apesar de externo, o serviço terceirizado continua sendo parte da empresa e dessa forma deve ser estreitamente controlado pelo empreendedor.
De acordo com Franco, ao optar pelo outsourcing é preciso, antes de mais nada, conhecer o fornecedor. "A empresa deve pesquisar sobre a contratada junto ao mercado, associações e conselhos de classe para saber se a operação será segura", afirmou. A precaução tem motivo. Quando uma empresa terceiriza uma atividade, os encargos trabalhistas devidos e, ainda, a política de treinamento dos funcionários estão a cargo do contratado. Se este não pagar a conta, caberá à contratante fazê-lo, mais uma vez.
Concepção - Quando foi apresentada para o mercado brasileiro, em 1992, a terceirização era como um sonho realizado para os gestores empresariais, pois reunia, no mesmo "pacote", redução de custos e a chance de focar apenas nas atividades principais que compõem a organização. No entanto, após o famoso "período de testes", descobriu-se que além dos pontos positivos, há outros que também merecem a atenção do empreendedor.
O primeiro deles é que a ideia de entregar o serviço nas "mãos" de uma organização contratada externamente é falsa na sua origem. De acordo com o diretor de Produtos do Ibmec, José Ignácio Villela Júnior, por mais que a outra companhia seja especialista em determinada área e que não faltem comprovações a esse respeito, é imprescindível acompanhar o desempenho e produtividade, para garantir que, ao reduzir custos, a empresa não acabe perdendo também a qualidade dos produtos e serviços que oferece ao mercado.
"A terceirização pode ser usada com critérios bem definidos. Há um aspecto legal que deve ser observado porque é proibido terceirizar o negócio fim, embora a lei não defina qual é essa atividade", apontou.
Por outro lado, ao "transferir" para outras empresas setores internos da companhia, os gestores também correm o sério risco de perder na qualidade da equipe, principalmente no que se refere à qualificação. De acordo com o professor, na maioria dos casos, o comprometimento do funcionário efetivo é substituído pelo mero cumprimento das tarefas estipuladas. Avaliar performance, nesse contexto, se torna algo quase inviável.
Usar ou não a ferramenta terceirização, segundo Villela, principalmente no caso dos gestores brasileiros, é dar mais ênfase para o curtíssimo prazo, ou seja, o fechamento da planilha do próximo mês ou semestre. No entanto, a gestão empresarial requer planejamento de médio e longo prazos, um detalhe que costuma passar desapercebido pelos empresários.
Em outras palavras, do mesmo jeito que a crise financeira mundial também se refletiu na economia brasileira, em algum momento esse fenômeno terá chegado ao fim e os setores voltarão a crescer novamente, o que vai requerer mão-de-obra qualificada.
Será que a organização que está "dispensando" seus maiores talentos vai encontrá-los livres neste momento e, na outra ponta, aqueles funcionários que não foram demitidos estarão mentalmente preparados para participar deste novo movimento? De acordo com o professor, a terceirização tem reflexos claros sobre os empregados efetivos. "A insegurança toma conta do ambiente interno", enfatizou.
LUCIANA SAMPAIO
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