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Otimismo para enfrentar desafios

Como muitos já disseram e outros tantos ainda repetirão, a economia - esta entidade quase mítica à qual prestamos certas reverências e dedicamos parte de nossas vidas e esforços para compreender e operar - não é uma ciência exata. Está, sim, sujeita às variações de humor de seu real protagonista, o Homo sapiens sapiens. Os reflexos dessa interdependência são umbilicalmente afetados por uma característica basilar da fascinante espécie: o instinto de sobrevivência. Dessa forma, é nos momentos de crise que surgem algumas das características humanas mais contraditórias à razão.

É certo que a economia passa por um momento de crise. A própria negatividade carregada por este termo estimula a atitude negativa entre os que atuam, os que gerem ou, simplesmente, os que sofrem os efeitos da dinâmica econômica. Assim, a atitude negativa e todas as consequências dela advindas têm impregnado o mercado, fazendo com que se carregue além do necessário nas tintas da atuação conservadora.

Poucos são aqueles e aquelas com a força de caráter e a confiança necessárias para encarar de frente os momentos difíceis e neles enxergar território propício ao empreendedorismo. É justamente no exemplo dessas pessoas que a sociedade deve e precisa se inspirar para virar o jogo. Assim, o primeiro mandamento que nos cabe seguir é: olhe o cenário sempre com otimismo.

Chegou a hora de os gestores atuarem de forma pragmática, porque a análise científica dessas últimas duas décadas - em que imperou a noção de que o mercado é uma entidade intocável - mostrou que muitos erros foram cometidos.

Vale destacar que, a partir da história que está sendo escrita na economia global, as empresas do mundo e do Brasil nunca mais serão as mesmas do ponto de vista da gestão. Há, sim, uma enorme revolução na maneira de gerir as corporações, o que é positivo. Portanto, a crise tem um componente saneador, pois as pessoas devem se voltar a construir suas decisões a partir de questões humanistas ou comportamentais.

O Brasil tem, por outro lado, uma vantagem formidável, porque é um país de empreendedores. Diferente do que ocorre em outras nações, o brasileiro é capaz de fazer negócios das formas mais criativas. Além disso, tem ampliado seu mercado interno, incluindo social e economicamente fatias da população cujos cidadãos não figuravam entre os chamados consumidores.

O momento econômico também tornou evidentes elementos de uma outra crise que se vem desenhando: o irreversível esgotamento futuro das fontes de combustíveis fósseis; e os inestimáveis danos causados ao meio ambiente pelo uso dos derivados de petróleo. Pode até soar como pretensão, mas a verdade é que só o Brasil dispõe de tecnologia e de meios viáveis de produção para substituir em sua matriz energética os derivados de petróleo por biocombustíveis ou por hidroenergia, fontes reconhecidamente menos poluidoras. O desenvolvimento tecnológico pode mudar isso, mas não no curto prazo.

É certo que vivemos momentos de grave instabilidade e encaramos problemas difíceis. Porém, a estrutura da economia brasileira é hoje muito mais sólida do que no passado. Dispomos de recursos e de alternativas, contamos com instituições estáveis e consolidadas e a nossa democracia tem crescido a cada nova eleição.

Em momentos como o atual, é extremamente temeroso o exercício de construir cenários futuros. No entanto, diante das bases referidas e tendo em vista o gigante potencial econômico de nosso país, o Brasil tem todas as condições de sofrer na mais reduzida escala os problemas da crise econômica e, especialmente, de deixar tal situação no menor intervalo de tempo.

É preciso, no entanto, que empresas e agentes de mercado tenham em mente que a gestão responsável é essencial para a superação exigida pela conjuntura adversa. A lógica do padre Luca Paciolo, considerado o pai da Contabilidade, está voltando. Com ela, resgata-se, com muita força, a visão de que uma empresa precisa ser gerida a partir da verdade dos números, das referências do débito e do crédito, da aplicação e da origem do recurso, pois não pode viver de fantasia. É, portanto, a partir da valorização da razão, da gestão responsável, da governança corporativa, do espírito empreendedor e, especialmente, do otimismo quanto ao presente e ao futuro que enfrentaremos e superaremos esta crise.

por Antoninho Marmo Trevisan

 

 

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