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Imprensa - Notícias

Sonho e pragmatismo, por Antoninho Marmo Trevisan *

O ano está chegando ao fim e mais de um milhão de brasileiros jovens, recém-egressos do ensino médio, tentarão a sorte nos vários vestibulares do país. Muitos realizarão o sonho de entrar em uma boa universidade. Outros terão de adiar mais um pouco esse desejo e dedicar pelo menos mais um ano de suas vidas a um bom cursinho preparatório. O que dói é saber que uma maioria silenciosa encerrará sua trajetória de estudos, preferindo ingressar de uma vez por todas no mercado de trabalho, ainda que isso lhes custe o doloroso preço de abrir mão de projetos mais ambiciosos de carreira e vida. Não sem razão, os pais operários estufam o peito de orgulho quando podem dizer que seus filhos são detentores de um título superior. A valorização do curso universitário é algo positivo. Simboliza o reconhecimento, pela sociedade, da importância de se ter uma formação boa, consistente, avalizada.

Não obstante, enveredamos por um caminho complicado ao deixarmos de enaltecer alternativas de formação profissional. Os cursos de formação de tecnólogos, por exemplo, são cada vez mais necessários e valorizados, exercendo papel fundamental para a realização do pleno desenvolvimento nacional. O exemplo do Japão, que apostou a até hoje aposta nesta altermativa de formação, é eloquente.

Não acho que a ciência e a produção do conhecimento devam estar unicamente a serviço de interesses de mercado. Tampouco, defendo que os ideais de teóricos e cientistas sejam sacrificados em nome de um pragmatismo primário. Porém, gostaria muito de ver um pouco mais de pragmatismo no meio acadêmico brasileiro. Talvez esse pragmatismo, na busca por uma aplicação prática do conhecimento, seja o caminho para o Brasil preencher suas lacunas nos campos da medicina, engenharia, tecnologias de informação, pedagogia e tantos outros ramos do conhecimento.

O pragmatismo e os sonhos não são incompatíveis. É possível, sim, o jovem ter uma carreira que ame e, ao mesmo tempo, contribuir para a consolidação do nosso desenvolvimento econômico e social. A realização pessoal e profissional não passa apenas pela conquista de um diploma de curso universitário.

Aos teóricos da educação, proponho um desafio: buscar os caminhos para que esses objetivos sejam atingidos.



* Empresário, educador

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