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Imprensa - Notícias

Visão ampla é característica essencial
JORNAL DO COMÉRCIO (Porto Alegre - RS) - 24/09/2008

Se até alguns anos a imagem que se tinha do contador, daquele profissional envolvido em cálculos, planilhas e livros, encerrado em seu escritório era a que vinha à mente ao se pensar no profissional, hoje não são essas as característica buscadas em alguém para desempenhar as funções. O contador não pode mais se limitar à contabilidade, ele precisa ter uma visão ampla das tarefas e da situação da empresa.
"Já não existe mais o contador introvertido, que não fala com ninguém e conhece apenas um assunto. O cliente exige que ele domine vários temas, assim como a globalização", afirma o sócio da Bordasch, Rosito & Filomena Auditores Independentes José Filomena.
Outra qualidade a ser desenvolvida pelos profissionais, segundo a contadora Geuma Campos Nascimento, é a habilidade da oratória. Sem esse dom, junto com o da escrita, o contador não se fará entender pelos clientes. "A contabilidade não é formada só por números mas também por conhecimento do negócio, precisa ser traduzida para os demais que dependem dela." Caso contrário, avalia, os resultados apresentados sairão direto do escritório do contador para a gaveta do empresário ou órgão governamental, que não darão a devida importância.
Com a implantação da Lei 11.638, o mercado enfrenta a carência de profissionais habilitados a atuarem com as mudanças propostas. Os contadores precisam ser treinados para enfrentar a nova realidade. As universidades terão que adaptar seus currículos de modo que os novos contadores, ao deixarem as faculdades, estejam aptos a trabalhar. "É uma tsunami que está vindo", compara o sócio da PricewaterhouseCoopers Carlos Biedermann.

Recentes conquistas garantem reconhecimento
Nos últimos meses, a classe contábil obteve duas vitórias que garantem mais ainda o reconhecimento do seu valor profissional. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os escritórios de contabilidade estão sujeitos à proteção constitucional de inviolabilidade domiciliar.
O STF deferiu habeas-corpus reputando inadmissível a apreensão de livros contábeis e documentos fiscais em escritórios de contabilidade por agentes fazendários e policiais federais, sem mandado judicial. Para o presidente do Sindicato dos Contadores do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiconta), Salézio Dagostim, essa foi uma importante decisão em prol da classe.
Neste mês, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (ST J) decidiu que as atividades contábeis devem ser exercidas por profissionais habilitados diplomados, não sendo justificado o exercício da atividade por auxiliar de escritório. Até então, havia o entendimento que a habilitação era exigida apenas de quem respondia
pelas informações contábeis, sendo dispensável para quem as executasse. "Registrar os livros contábeis é um trabalho que só pode ser feito por contador ou técnico em contabilidade", destaca Dagostim.
Além disso, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no 18S Congresso Brasileiro de Contabilidade (CBC), realizado em Gramado, mostrou a importância que a classe vem obtendo dos governantes. "Isso demonstra que a sociedade está prestando mais atenção em nossa categoria", comemora a contadora e sócia da Trevisan Outsourcing Geuma Campos Nascimento.
A vinda de Lula teve envolvimento direto e o empenho do contador Antoninho Trevisan. Em seu discurso no CBC, Trevisan expressou a emoção em ter a presença do representante maior da nação. "Presidente, o senhor não imagina como está o coração desses contadores."
Na opinião de Geuma, faltam atitudes como a de Trevisan, de posicionamento mais efetivo e orgulho da profissão, levantando as bandeiras da classe.

 

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