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Trevisan deixa auditoria e repassa controle para sócios
VALOR ECONÔMICO - 02/10/2008
Por Nelson Niero, de São Paulo
Antoninho Marmo Trevisan vai abrir mão do controle da firma que fundou há 25 anos. O empresário vai dividir suas cotas com 22 sócios, mantendo 10% de participação - que será também repassada num prazo de três a cinco anos. Ed Viggiani/Valor
Trevisan: "Nunca vi momento mais formidável para a contabilidade"
Num processo de reestruturação que começou há dois anos - liderado por uma consultoria externa, a Hirashima & Associados -, Trevisan passa a liderar o recém-criado conselho consultivo da BDO Trevisan, firma de auditoria e consultoria que está entre as cinco maiores do país.
Operacionalmente, haverá uma divisão entre as empresas que hoje formam o grupo. A BDO Trevisan, sob o comando de Eduardo Pocetti, fica com auditoria e certificação (que inclui a checagem dos balanços das companhias abertas) e um faturamento estimado em R$ 100 milhões neste ano. Trevisan vai comandar a empresa de terceirização, de consultoria e a faculdade, com uma receita conjunta de R$ 45 milhões.
A mudança, segundo Trevisan, é a realização de um sonho antigo. Em 1999, conta, resolveu criar a faculdade já imaginando o que ia fazer até os 95 anos de idade. "Mas depois minha minha mulher disse que seria só até os 85", brinca. "Na época, a Trevisan já era importante e achei que era a hora de planejar a sucessão para poder voltar a me dedicar à minha paixão, que é ensinar."
Trevisan começou a carreira na então Price Waterhouse Peat & Co. (hoje PricewaterhouseCoopers), em 1970, e por muito anos deu aulas na Fundação Getúlio Vargas. Em 1983 saiu da Price para fundar a Trevisan Treinamento Empresarial, para concentrar esforços em educação e treinamento. Durou pouco. Logo foi foi "desencaminhado" por um dos seus alunos, Roger Agnelli, então gerente do Bradesco e hoje presidente da Vale, que o convenceu a montar o departamento de mercado de capitais do banco. Depois veio Luiz Fernando Furlan, também aluno, que queria sua ajuda para montar o departamento de acionistas da Sadia. Da consultoria para a auditoria foi um passo. E a educação ficou no terceiro plano.
Mas não imaginem que agora o empresário Trevisan ficará trancado numa sala de aula. O professor vai continuar fazendo as vezes de consultor.
"As empresas andam sem mim", afirma. "O mercado vai precisar muito de profissionais com larga experiência nas entranhas das empresas." Segundo ele, há muitos convites para identificar empresas, para fazer combinações, fusões. "Há um grande interesse de fundos de investimento e a a grande questão vai ser saber quais empresas estarão prontas rapidamente", diz .
Apesar de estar deixando a auditoria, Trevisan identifica um momento único para a profissão. "Nunca antes na história deste país", brinca Antoninho Marmo Trevisan, parafraseando um amigo ilustre, "os contadores foram tão valorizados". É a hora da transparência, do "esperanto" contábil e do pé no chão em meio à crise em que os contadores vão ser chamados para mostrar onde está a substância, a essência por trás dos ativos, acredita.
"Desde que comecei, nunca vi momento mais formidável para o mundo da contabilidade no Brasil", afirma. "O Congresso de Contabilidade deste ano recebeu 6 mil pessoas, algo inédito." Inédita também foi a visita de um presidente da República.
Trevisan lembra que em 1976, com a Lei da Sociedades Anônimas, também houve um grande avanço, mas a situação hoje é diferente. "Vivíamos um regime político de exceção e, depois, veio o período da inflação alta, dois inimigos da transparência."
Agora, afirma, é um momento de busca da informação contábil por um interesse externo, e não pela imposição legal.
"Nesta crise em que apareceram derivativos numa cadeia infinita gerando novos valores sobre um mesmo ativo, o contador está sendo chamado porque as pessoas estão mais preocupadas com a substância, a essência."
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