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Para Antoninho Marmo Trevisan, profissional ganha poder e status
Valor Econômico - 29/09/2008
"Uma linguagem universal: o esperanto do mundo corporativo. Essa é a forma como os contabilistas do futuro deverão preparar balanços contábeis de agora em diante. Por causa das novas exigências da Lei 11.638, não se trata mais de submeter as regras da contabilidade a um só acionista, como nos anos 40, mas de adotar uma linguagem contábil que o investidor que se encontra do outro lado do mundo possa entender. Agora, o balanço das SAs não é mais para um único empresário; é para o mercado global."
Com essas palavras, Antoninho Marmo Trevisan, presidente do conselho da BDO Trevisan, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria nacionais, dá o tom da revolução que está varrendo a mesa dos principais gestores do país, por conta das reformas aprovadas no ano passado, visando adaptar a metodologia brasileira aos padrões internacionais de demonstrações financeiras.
Em função dessas novas exigências, que atingem diretamente mais de 67 mil escritórios de contabilidade em todo o país e perto de 210 mil trabalhadores da área, o profissional contábil do futuro, segundo Antoninho Trevisan, se afasta do antigo perfil que lhe cabia: "Além de conhecer geografia mundial e ter noções de relações internacionais, ele precisa entender de métodos quantitativos para ter uma clara percepção dos valores ativos da companhia para a qual trabalha, para lhe oferecer alternativas de gestão e decisão, ou seja, deve conhecer o mercado onde ela atua para avaliar concorrentes sob um enfoque de custos e produtos".
Trata-se, em suma, nas palavras de Geuma Campos do Nascimento, sócia da Trevisan Outsourcing, de "um profissional global", capaz não só de aplicar a legislação tributária vigente, interpretar eventos mercantis, dominar metodologias político-econômicas e financeiras adotadas em diferentes continentes e fazer uma fotografia financeira do negócio à luz do IFRS, mas, ainda, de participar diretamente da tomada de decisões". "Por tudo isso", reconhece Geuma, reciclar é preciso.
Graças a este upgrade, explica ela, "o contabilista deixa de ser um mero técnico contábil e passa a ser pró-ativo, inovador, dinâmico. Agora, mais do que nunca, "tem oportunidade de sair do cantinho onde sempre ficou, atuando como um burocrata dos números, e se expor mais"; tem chance de se atualizar. "Familiarizar-se com as normas de contabilidade internacionais, dominar o inglês, ter um Excel avançadíssimo, uma redação correta, convincente nos quatro cantos do mundo; habilidades de oratória, um bom poder de argumentação e persuasão para convencer o gestor a usar as informações da forma como imagina."
"Quer queira, quer não, o futuro para este profissional de contabilidade é, portanto, uma delícia", resume a sócia da Trevisan Outsourcing: "Todos os dias, estamos admitindo novos talentos e capacitando internamente os antigos. E diria que dos 220 contadores da Outsourcing, 90% são aproveitáveis".
Em troca dessa metamorfose profissional, Geuma Campos vislumbra um novo fôlego à carreira e melhores salários para os jovens talentos: "Aumento de 30% no piso inicial - isto é, cerca de 2.800,00 para o profissional com competência para lidar com o IFR", garante. (M.C.)
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